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Demissão
se torna dilema para empresa responsável
24/02/2009
- O atual estágio da crise financeira global, caracterizado
pelos efeitos sobre o lado real da economia, vem gerando um novo
dilema para as empresas que se denominam socialmente responsáveis:
lidar com as demissões coletivas.
O tema
é controverso. É socialmente responsável, por
exemplo, a empresa que demite seus funcionários apenas para
alcançar determinada meta de crescimento nos lucros?
E aquela
que demite para poder continuar sobrevivendo, garantindo dessa forma
emprego e renda dos trabalhadores que ficam?
De
um lado, centrais sindicais -e setores do governo no Brasil e no
exterior- alegam que, após tantos anos de resultados positivos
e crescentes nas empresas, não parece justo que os empregados
paguem a conta da crise.
Os
empresários, por sua vez, argumentam que demitir é
custoso sob todos os aspectos, mas que, em alguns casos, é
impossível fazer os ajustes necessários sem esse tipo
de medida.
Como
pano de fundo, um cenário sombrio para o emprego no mundo.
Na previsão mais pessimista, fala-se de até 50 milhões
de novos desempregados no planeta até o fim deste ano, desde
o agravamento da crise, em setembro passado. No Brasil, demissões
coletivas em grandes empresas são cada vez com mais frequentes.
Some-se
a isso a importância crescente do tema da responsabilidade
social no mundo corporativo e o quanto isso foi alardeado ao público
nos últimos anos, via marketing e propaganda. Entre os principais
conceitos da responsabilidade social empresarial, está justamente
o modo como uma empresa se relaciona com os seus diferentes públicos,
entre os quais os seus próprios funcionários.
"Essa
é uma discussão bastante delicada e repleta de nuances.
De qualquer forma, parece óbvio que uma empresa que se denomine
socialmente responsável não pode fazê-lo somente
nos momentos de bonança. Pelo contrário: é
nos momentos de crise que elas mostram o quanto realmente incorporaram
alguns desses conceitos. E isso vale para o modo como elas tratam
suas questões trabalhistas", afirma Flávia Moraes,
diretora da FCM Consultoria em Sustentabilidade.
Segundo
especialistas consultados pela Folha, a demissão coletiva
deve ser encarada pelo empresário como última opção,
mesmo dentro de um quadro de crise. Antes disso, existem outras
alternativas -como férias coletivas, redução
da jornada de trabalho e até redução dos salários
em troca da garantia do emprego.
"A
maior responsabilidade social do empresário é manter
o emprego de seus funcionários. E, se não puder fazê-lo,
a demissão tem de ser extremamente cautelosa, com uma comunicação
transparente, o que infelizmente muitas vezes não acontece",
afirma Eliane Belfort, diretora do Comitê de Responsabilidade
Social da Fiesp (Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo). "É importante que o empresário
não pense na demissão apenas como uma redução
de custos imediata, pois o impacto que um processo desses tem no
clima organizacional e na própria produtividade da empresa
é sempre muito significativo."
Programa
Se um processo de dispensa é inevitável, há
maneiras responsáveis de fazê-lo. Algumas empresas,
por exemplo, adotam programas de "demissão responsável",
um conceito herdado da legislação europeia, no qual
as empresas, em caso de demissões coletivas motivadas por
motivos econômicos (crises, fusões, aquisições),
apoiam e estruturam planos de recolocação dos empregados
demitidos no mercado de trabalho.
"Não
se trata de 'outplacement", que é um benefício
estendido aos altos executivos das empresas para se recolocarem,
mas sim de estruturar e incentivar células de emprego para
a base da pirâmide", diz Gilberto Guimarães, diretor
da BPI (Business & People Integration), consultoria especializada
em recolocação de profissionais dentro desse conceito.
"Tenho visto muitas empresas optando por dar treinamento, mas
o fato é que o trabalhador demitido não quer treinamento,
ele quer emprego. Treinamento e qualificação a empresa
tem de dar para quem está empregado", afirma.
Prova
do momento delicado envolvendo o assunto: nenhuma das 11 empresas
procuradas pela reportagem da Folha quis detalhar seus projetos
de demissão responsável, mesmo tendo publicamente
assumido esse tipo de programa na sua gestão de pessoal.
Na
maior parte dos casos, a alegação da empresa foi a
de que, em meio a uma delicada discussão envolvendo centrais
sindicais, entidades representativas das empresas e governo federal,
na qual as demissões ocupam papel central, era melhor não
haver manifestação pública sobre o assunto.
Fonte:
Folha Online. Adaptado por Celulose Online
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