Embalagens: recuperação só no 3º trimestre

Expectativa do segmento é a de que haja uma melhora da economia brasileira ao longo de 2009.

19/02/2009 - São Paulo - O impacto da crise mundial na indústria de embalagens deverá afetar os negócios do setor no país durante os três primeiros trimestres de 2009, prevê a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo pesquisa da FGV, as projeções para este ano devem considerar dois cenários distintos, de maior ou menor influência do ambiente externo na economia domestica.

No cenário mais otimista, no qual se estima um "descolamento moderado" da atividade interna em relação ao exterior, a produção nacional de embalagens deve apresentar queda de 2% no primeiro e no segundo trimestres em relação aos mesmos períodos de 2008. No terceiro trimestre, a expectativa é de estabilidade. Só no quarto trimestre a indústria deve crescer ao redor de 3%. Assim, no acumulado do ano a produção de embalagens ficaria estável em 2009.

No cenário pessimista, de maior convergência com a economia mundial, o setor teria retração de 3% de janeiro a março e de 4% nos três meses seguintes, reduzindo o ritmo de queda para 2% no terceiro trimestre. Apenas no quarto trimestre há uma expectativa de alta, de 1%. Nesse quadro, o resultado anual ficaria negativo em 2%.

Para o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, a recuperação do setor esperada para o quarto trimestre pode ser explicada pela expectativa de que haja uma melhora da economia brasileira ao longo de 2009 e também devido à base de comparação mais fraca do período de outubro a dezembro de 2008, quando o setor teve queda de 6,97% ante igual intervalo de 2007.

"Em dezembro, tivemos queda de quase 10% na produção. Foi um período de paralisia da indústria nacional, mas não acredito que essa queda acentuada se mantenha nesses níveis no começo deste ano", disse.

Balança - A desaceleração da economia brasileira e mundial e a valorização do dólar frente ao real deverão contribuir para que a balança comercial da indústria brasileira de embalagens tenha um resultado mais discreto do que o apurado em 2008. Na visão de Quadros, é provável que o setor encerre 2009 com redução nas importações e nas exportações, interrompendo um movimento de alta no fluxo comercial nos dois sentidos.

Em 2008, as exportações brasileiras de embalagens somaram US$ 545,97 milhões, uma expansão de 13,9% em relação ao ano anterior As importações, por sua vez, cresceram 30,1%, para US$ 479,66 milhões, segundo levantamento feito pela FGV a pedido da Associação Brasileira de Embalagem (Abre).

Com isso, o superávit comercial do setor ficou em US$ 66,31 milhões, abaixo da marca de US$ 110,80 milhões do ano anterior. "É provável que o superávit do setor volte a apresentar retração este ano. Ainda não apuramos queda nas importações, mas já vemos sinalização de queda nas exportações", disse Quadros.

A redução nas exportações deverá refletir a desaceleração da economia e da demanda de diversos mercados, mas compensada parcialmente pela maior competitividade dos produtos brasileiros em um ambiente de desvalorização do real. Já as importações devem ser afetadas pela retração da demanda de empresas brasileiras e pela menor competitividade dos produtos importados

Quadros destacou que o cenário menos favorável às importações também deverá frear a entrada de produtos acabados, que já chegam ao Brasil embalados. Esses produtos podem perder terreno para itens brasileiros, que seriam embalados internamente. "O momento pode favorecer empresas que estavam perdendo clientes e mercado para produtos importados", afirmou.

Apesar da perspectiva de redução das importações, a indústria de embalagens se mostra pessimista em relação ao cenário de negócios em 2009, principalmente no primeiro semestre.

Segundo levantamento da FGV, mais de 50% das empresas do setor sinalizavam retração na demanda em janeiro. No início de outubro de 2008 esse porcentual era de 17%. "Notamos que há uma disseminação do pessimismo no setor", alertou o economista. (AE)

Fonte: Diário do Comércio