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Projeto
cria seguro ambiental obrigatório
19/02/2009 - Uma nova e polêmica proposta na área da
legislação ambiental pode chegar ao Congresso Nacional
neste ano: a criação da obrigatoriedade de contratação
de seguros de responsabilidade civil para a cobertura de danos ao
meio ambiente. O tema está em estudo na Superintendência
de Seguros Privados (Susep) e prevê a criação
de uma companhia estatal, com participação da iniciativa
privada, que garantiria a cobertura de danos ambientais às
empresas, que, por sua vez, teriam a obrigação de
contratá-la, sob pena de não conseguirem licenciamentos
para iniciar suas obras. Se aprovado na Susep, o próximo
passo do anteprojeto é seu encaminhamento ao Congresso, onde
dois projetos sobre o tema tramitam desde 2003 - um deles, no entanto,
foi arquivado pela Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.
O tema
já tem sido discutido em diversos países. Nos Estados
Unidos e na Europa, o seguro ambiental não é compulsório,
mas o segmento está em expansão. Já a Argentina
passou a exigir, desde o ano passado, a contratação
do seguro. No Brasil, os projetos já existentes nesse sentido
- o já arquivado Projeto de Lei nº 937, e o Projeto
de Lei nº 2.313, de 2003, proposto pela organização
não-governamental Atitude e que ainda tramita na Câmara
- condicionam a concessão de licenças ambientais à
contratação de seguros de responsabilidade civil por
danos ambientais, auditoria ambiental e contratação
de técnicos especializados para acompanhar o empreendimento.
Os projetos foram alvo de críticas de empresas pelo fato
de não apontarem os limites e a forma de liquidação
dos sinistros, o que os tornaria de difícil realização
para as empresas e seguradoras.
A principal
diferença da nova proposta, elaborada por procuradores federais
e ainda pendente de avaliação na Susep, é a
criação da "Seguradora Ambiental do Brasil",
subordinada ao Ministério da Fazenda, por intermédio
do poder de polícia administrativo do Conselho Nacional de
Seguros Privados (CNSP) e da Susep, e com participação
da iniciativa privada. De acordo com o procurador federal representante
da Susep Guilherme Baldan Cabral dos Santos, um dos autores do projeto,
tanto as pessoas físicas quanto as pessoas jurídicas
estariam obrigadas ao seguro, em proporções diferentes
que variam conforme o risco ambiental da atividade envolvida, no
caso das empresas. Em um primeiro momento, a seguradora repararia
o dano ambiental e, caso comprovado que ele foi causado por culpa
de uma conduta inadequada da empresa, e não por um fenômeno
natural, seria possível que a entidade ajuizasse uma ação
regressiva na Justiça contra a empresa.
Segundo
Santos, a arrecadação da seguradora funcionária
nos moldes do Seguro Obrigatório de Veículos Automotores
de Vias Terrestres (DPVAT). "Estamos baseados no artigo 225
da Constituição Federal, que determina ao poder público
e à coletividade defender o meio ambiente e preservá-lo
para as gerações futuras", diz Santos.
Como
o projeto está em fase inicial na Susep, sua viabilidade
ainda não foi discutida. Para o advogado João Luiz
Cunha dos Santos, do escritório Carlos Mafra de Laet Advogados
e que atua no mercado de seguros há 29 anos, a implantação
da proposta com a consequente criação da seguradora
estatal seria possível. Segundo ele, o mercado de seguros
ambientais ainda é muito pequeno e não está
preparado para absorver a demanda em caso de se tornar obrigatório.
"Em uma segunda fase, o mercado poderia competir com a estatal,
assim como ocorreu com o fim do monopólio no mercado de resseguros",
diz Cunha. O advogado se refere ao IRB Brasil Re, empresa do governo
que tinha o monopólio do setor até abril do ano passado
- atualmente, já existem 42 corretoras atuando no segmento
no país. "A fiscalização será muito
importante para que o projeto se cumpra", diz Cunha.
Outra
novidade da proposta é a previsão de vinculação
com acordos internacionais relacionados ao meio ambiente, com a
chancela das Organizações das Nações
Unidas (ONU), para permitir que a estatal receba doações
a um fundo garantidor de reservas técnicas de instituições
estrangeiras, que teriam como contrapartida a aquisição
de créditos de carbono. "Seria uma boa forma de atraFir
investimentos para o Brasil", diz Santos, co-autor da proposta.
Fonte:
Valor Econômico. Adaptado por Celulose Online
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