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Brasil
entra em ambiente econômico recessivo
19/02/2009 - O Brasil entrou em ambiente econômico de recessão,
conforme critério adotado pela Sondagem Econômica da
América Latina, feita pela FGV (Fundação Getúlio
Vargas) e pelo IFO (Instituto de Pesquisa Econômica da Universidade
de Munique). A pesquisa consultou 137 especialistas em 16 países
da região, que indicaram piora na situação
atual da economia e das expectativas para os próximos seis
meses. Com isso, o ICE (Índice de Clima Econômico)
registrou o menor nível da série histórica
iniciada em janeiro de 1990 (2,9 pontos).
O coordenador
do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicos
da FGV, Aloisio Campelo, explicou que a sondagem mapeia os ciclos
econômicos, e não definem se as economias estão
realmente em retração. "Pelo critério
qualitativo que adotamos, o momento atual está no quadrante
recessão", afirmou.
O critério
adotado pela FGV estipula que, quando o ISA (Índice da Situação
Atual) e o IE (Índice de Expectativas) ficam abaixo dos 5
pontos, está configurada uma fase recessiva.
Pela
sondagem de janeiro, o ISA do Brasil caiu de 7,3 pontos para 4,7
pontos, entre outubro e janeiro. Apesar de o IE ter melhorado de
2,7 para 3,1 pontos, ainda não se pode dizer que há
um quadro otimista. "Deve-se levar em conta que o Brasil está
no limite. O resultado daqui é superior ao do restante da
América Latina e do mundo", observou Campelo. Para ele,
é possível que as economias da América Latina
tenham quedas no quarto trimestre de 2008 e nos primeiros três
meses deste ano.
Desde outubro de 2001, após o atentado de 11 de setembro,
que não se configurava ambiente recessivo, pelos critérios
da pesquisa, tanto no Brasil quanto na América Latina. No
Brasil, o quadro, naquela época, foi complicado ainda mais
pelo racionamento de energia.
O ISA
de toda a América Latina ficou em 3,4 pontos --menor índice
desde outubro de 2002-- e o IE caiu para 2,3 pontos, recorde histórico
negativo. O quadro de tendência recessiva na região
já estava configurado desde outubro.
O ICE
da América Latina permanece ligeiramente superior à
media do resto do mundo (2,8 pontos), mas as expectativas quanto
ao futuro da economia no curto prazo estão ainda mais em
baixa. No restante do mundo, houve pequena aceleração
entre outubro e janeiro (3 para 3,1 pontos), enquanto na América
Latina, houve recuo de 2,5 para 2,3 pontos.
"Isso
pode estar ligado ao fato de que os países da América
Latina sentiram os efeitos da crise um pouco depois, já que
vinham crescendo baseados principalmente na forte demanda do mercado
por commodities. Há uma espécie de efeito retardado",
comentou Campelo, acrescentando que a média mundial é
composta por países como China e Índia, que têm
resultados melhores do que os países desenvolvidos.
Fonte:
Folha Online. Adaptado por Celulose Online
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