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Papel:
setor apresenta recuperação
17/02/2009 - Após uma fase de sucessivas perdas em decorrência
da crise financeira, as indústrias de celulose, papel e papelão
de Minas Gerais começam a apresentar pequena melhora nos
mercados interno e externo. De acordo com o Sindicato das Indústrias
de Celulose, Papel e Papelão do Estado de Minas Gerais (Sinpapel),
este mês deve registrar recuperação de 10% nos
negócios, em relação a janeiro.
"No
final do ano passado, amargamos queda na demanda de cerca de 40%.
Embora o período de Natal haja muito consumo de embalagens,
os pedidos são feitos com até 120 dias de antecedência.
Agora, estamos ensaiando relativa melhora. A expectativa é
que em março aconteça o mesmo", afirmou o presidente
do Sinpapel, Antônio Eduardo Baggio.
Segundo
o dirigente, o desaquecimento de alguns setores, como o cafeeiro
e o sucroalcooleiro, contribuíram para a queda nas vendas
de embalagens, fazendo cair o ritmo de produção das
empresas. "Esses setores praticamente cessaram as encomendas.
No mercado interno, as perdas foram menores, já no externo,
a situação estava muito ruim até o mês
passado", ressaltou.
Apesar
da crise, não foram registradas demissões em massa
no setor. De acordo com Baggio, o que ocorreu foi a não-efetivação
de temporários. Por outro lado, o presidente do Sinpapel
não descarta a possibilidade de desligamentos no futuro caso
a recuperação do mercado não se concretize.
Ele disse, ainda, que muitas indústrias estão enfrentando
problemas em relação a capital de giro. "As empresas
deixaram de faturar e continuaram com os gastos elevados. A maioria
está descapitalizada e pode não conseguir honrar seus
compromissos", alertou.
A boa
notícia é que a valorização do dólar
frente ao real fez com que as importações caíssem,
o que já melhorou o mercado interno e as exportações.
É que, com o dólar alto, muitos produtos importados
manufaturados deixam de entrar no país, como brinquedos,
calçados. Isso faz com que aumente as encomendas de embalagens.
No
entanto, como a celulose é cotada no mercado internacional,
o preço do insumo fica mais caro com o câmbio desvalorizado.
Atualmente, a tonelada do material é vendida a cerca de US$
430.
Conforme
o último levantamento realizado no setor, as indústrias
do setor de papel e papelão de Minas Gerais empregavam cerca
de 35 mil pessoas. Porém, a estimativa atual do sindicato
é de 28 mil funcionários, já que o Estado perdeu
muito empreendimentos para os estados de Goiás, Rio de Janeiro
e São Paulo em função de nesses locais haver
maior concessão de benefícios fiscais.
LUCIANE LISBOA
Fonte:
Diário do Comércio
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