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Selo
verde para florestas emperra no país
16/02/2009 - Nenhuma floresta nativa no Brasil ganhou o selo verde
mais reconhecido do mundo, o FSC (Conselho de Manejo Florestal),
em 2008. A certificação florestal no país teve
curva ascendente até 2005. Depois disso, no entanto, entrou
em queda, até chegar ao menor patamar desde 2000.
Os
dados vão na contramão da intenção do
governo de reduzir o desmatamento da Amazônia em 70% até
2018. Não é possível dizer que somente as áreas
com selo FSC explorarão adequadamente a floresta.
A certificação,
porém, ainda é a maior garantia de que a madeira extraída
na área é oriunda de um processo sustentável,
que cumpre todas as leis vigentes. Essa certeza é obtida
por meio de auditorias. Segundo empresários e engenheiros
florestais ouvidos pela Folha, há vários motivos para
o declínio da certificação no país.
O primeiro da lista é a falta de regularização
fundiária na Amazônia -boa parte das áreas privadas
não têm documentação completa, o que
impede a aprovação de planos de manejo e posterior
certificação.|
Para
Johan Zweede, diretor-executivo do IFT (Instituto Floresta Tropical),
muitos empresários se animaram anos atrás a tentar
obter o selo. Ele diz, porém, que em 2005, quando começaram
ações mais intensivas para coibir a madeira ilegal,
os que possuíam certificado foram tratados da mesma forma
que os ilegais. "Isso desestimulou o empresariado."
Tanto
os empresários quanto o IFT ressaltam que o Banco da Amazônia,
apesar de ter uma linha de financiamento para projetos de manejo
sustentável, apoiou somente uma iniciativa até hoje.
"Os bancos estão acostumados a trabalhar com agropecuária,
mas não sabem lidar com floresta", diz Marco Lentini,
do IFT.
Idacir
Peracchi, dono da Juruá Florestal, afirma que os empresários
esbarram "sempre na falta de áreas documentadas e na
inércia do governo". Ele possui duas áreas certificadas
até agora e deve ganhar o selo verde em mais duas áreas
neste ano no Pará.
A primeira
área florestal brasileira certificada, em 1997, tinha aproximadamente
123 mil hectares. Agora, existem 2,8 milhões de hectares
com selo -o equivalente ao território do Haiti, por exemplo.
Entidades
da Amazônia e empresários dizem que o número
de certificações só aumentará o crescimento
da concessão (ou aluguel) de florestas públicas. A
primeira ocorreu no ano passado e permitiu a exploração
da Floresta Nacional do Jamari (RO) por três empresas.
De
acordo com Tasso Azevedo, diretor-geral do SFB (Serviço Florestal
Brasileiro), a meta é ter, até o próximo ano,
4 milhões de hectares em processo de concessão florestal.
Manoel
Pereira Dias, presidente da empresa Cikel e da Aimex (Associação
das Empresas Exportadoras de Madeira do Estado do Pará) afirma
que a valorização do produto aumenta com a certificação.
"Acabamos de voltar da feira e ficou claro que há uma
procura muito grande por produtos certificados, porque dão
garantia do marco legal", diz.
Segundo
Zweede, alguns países europeus, como a Alemanha, preferem
e pagam mais pela madeira certificada.
Fonte:
Folha de S. Paulo. Adaptado por Celulose Online
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