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Cenibra
atenta ao mercado
Empresa pode optar por dilatar prazo de alguns
investimentos previstos para este ano

A Cenibra permanece operando com 100% da capacidade
instalada e não foram registrados cancelamentos na carteira
de contratos
11/02/2009
- A Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra) poderá esticar os
prazos dos investimentos previstos para 2009 e estuda reduzir a
produção caso os estoques permaneçam elevados.
É que, com o desaquecimento da economia mundial, o consumo
de celulose registrou forte retração.
Segundo
o diretor-presidente da Cenibra, Fernando Henrique da Fonseca, a
companhia trabalha atualmente com estoque de produção
de 43 dias. Segundo o principal executivo da empresa, em condições
normais de mercado, a prática é manter estocado o
equivalente a 32 dias de produção.
De
acordo com o presidente, devido ao desaquecimento do mercado internacional
os clientes da Cenibra estão prorrogando a retirada das encomendas
e, além disso, exigindo desconto no preço combinado.
"O
escoamento da produção é dificultado por esse
fator. As negociações só avançam e as
retiradas são antecipadas quando o produto recebe desconto",
afirmou o presidente. Em janeiro a Cenibra ainda considerava que
tinha estoques "confortáveis", porém agora
a quantidade estocada já preocupa.
Preço
- Só para se ter uma ideia, o preço da celulose, conforme
Fonseca, despencou de US$ 800 a tonelada em outubro do ano passado
para US$ 550 este mês. "Caso a economia mundial não
dê sinais de reaquecimento e os indicadores permaneçam
nestes níveis, podemos dilatar o prazo de alguns investimentos",
avaliou.
De
acordo com Fonseca, o desequilíbrio no mercado a partir de
setembro do ano passado ocasionou a redução expressiva
nos preços da celulose, já que os compradores internacionais
acumularam estoque devido à forte queda na demanda, o que
tem impacto direto nos produtores de celulose.
Os
compradores internacionais acumularam estoque devido à retração
na demanda e isso acabou impactando as produtoras de celulose. Mesmo
com disponibilidade de crédito para suas exportações,
a falta de liquidez atinge a companhia. Segundo o dirigente, os
prazos estão menores e as taxas de juros estão elevadas.
Investimentos
- O projeto da companhia prevê investimentos da ordem de US$
2 bilhões até 2013 na construção da
terceira linha produção em Belo Oriente (Vale do Rio
Doce) e no plantio de eucalipto.
Somente
para a base florestal está previsto investimento de US$ 400
milhões. A expectativa é que dois anos antes dos eucaliptos
serem cortados seja iniciada a produção na nova unidade.
A parada
para manutenção dos equipamentos prevista maio deste
ano pode ser antecipada e ser superior a uma semana, como ocorre
normalmente, segundo Fonseca.
"É
uma medida que podemos adotar para adequar nossos estoques. Mas
não está programada nenhuma redução
no quadro de pessoal, mesmo com a crise", disse Fonseca.
O presidente
informou que a empresa permanece operando com 100% da capacidade
instalada e não foram registrados cancelamentos na carteira
de contratos. "A carteira está cheia e os contratos
são de longo prazo, mas como trabalhamos no mercado internacional,
sabemos que os clientes devem continuar prorrogando as retiradas",
afirmou Fonseca.
Entre
5% e 6% da produção é destinada para o mercado
interno e os principais mercados da Cenibra estão na Europa
e Ásia. "Em dezembro a China voltou a fazer encomendas,
mas já interrompeu. Nocos contratos no exterior estão
escassos", observou.
BRUNO PORTO
Fonte:
Diário do Comércio
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