|
Ano
Legislativo 2009 deverá ter mais urgência e mais ativismo
04/02/2009
- O presidente da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), Armando Monteiro Neto, disse nesta quarta-feira, 4/1, que
a crise econômica mundial e a proximidade das eleições
de 2010 estimularão as atividades legislativas ao longo deste
ano. "O ano legislativo de 2009 apresenta-se bem diferente
do de 2008. Deverá ser um ano marcado por maior ativismo
legislativo e por maior sentido de urgência", afirmou
Monteiro Neto na abertura do seminário RedIndústria.

O evento,
organizado pela CNI, reúne, em Brasília, cerca de
200 representantes de federações estaduais e associações
nacionais setoriais de indústria. Eles definirão nesses
dois dias - quarta e quinta-feira, 4 e 5 de feverreiro, a Agenda
Legislativa da Indústria de 2009, documento que mostra ao
governo, aos parlamentares e à sociedade a posição
do setor produtivo sobre os projetos e proposições
legislativas que têm impacto na atividade econômica.
Segundo
Monteiro Neto, o atual cenário econômico exige do setor
produtivo foco, definição de prioridades e coordenação
de ações. "Esses elementos serão essenciais
para que a indústria possa apoiar proposições
legislativas que não só contribuam para a recuperação
da economia, mas transcendam às atuais dificuldades com vistas
a promover o aumento da competitividade do país", destacou.
O presidente
da CNI lembrou que é o momento do Brasil construir a ponte
para o futuro. "Devemos preparar a economia para o pós-crise,
ou seja, melhorar a qualidade das instituições, alavancar
projetos estruturantes e impedir a ocorrência de retrocessos."
Para ele, a tarefa do setor produtivo será mais complexa
do que nos anos anteriores. Isso porque a crise mundial exigiu ações
importantes dos governos, especialmente na área financeira.
"Esse novo papel, que esperamos seja temporário, reforça
o discurso daqueles que acham que o Estado é a solução
para todos os
problemas."
Monteiro Neto reafirmou a confiança da indústria na
economia de mercado. Destacou, no entanto, que regras e leis são
indispensáveis. "Mais mercado também significa
mais regras e, principalmente, clareza e estabilidade nas regras.
Afinal, sem segurança jurídica, não há
investimento." Prova disso é que entre as prioridades
da
Agenda Legislativa de 2008 estavam projetos que tratavam das agências
reguladoras, defesa da concorrência e a lei do gás
natural.
Na avaliação do presidente da CNI, a agenda da indústria
deste ano tem um importante papel a cumprir. "A Agenda 2009
apresenta maior sentido de urgência e relevância em
um mundo mais seletivo de oportunidades e de competição
mais acirrada", disse Monteiro Neto.
O presidente do Conselho Temático de Assuntos Legislativos
da CNI, Robson Braga de Andrade, afirmou, em seu discurso, que houve
avanços importantes na Agenda Legislativa da Indústria
em 2008. Exemplo disso é o substitutivo ao projeto de reforma
tributária aprovado na Comissão Especial da Câmara,
que incorpora antigas reivindicações do setor produtivo,
como a simplificação do sistema de arrecadação
de impostos e a desoneração dos investimentos.
As propostas da indústria também foram acolhidas na
lei de defesa da concorrência, no marco regulatório
do gás natural e nas novas regras do Simples Nacional.
Participaram da abertura do seminário RedIndústria
o filósofo Renato Janine Ribeiro e os deputados federais
José Carlos Aleluia (DEM-BA) e José Eduardo Cardoso
(PT-SP), o diretor-executivo da CNI, José Augusto Fernandes,
e o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica
da CNI, Flávio Castelo Branco.
Veja
abaixo a íntegra do pronunciamento presidente do Conselho
Temático de Assuntos Legislativos/CNI e presidente da Fiemg,
Robson Braga de Andrade na cerimônia de Abertura do Seminário
Redindústria
Senhoras
e Senhores,
Saúdo a todos e, especialmente, os Companheiros e Companheiras
da RedINDÚSTRIA que, mais uma vez, acolheram o nosso convite
para este encontro.
O
Seminário RedINDÚSTRIA constitui um processo imprescindível
de consultas às bases da nossa entidade, visando assegurar
que a Agenda Legislativa reflita os reais interesses da indústria
brasileira e a coesão do pensamento da comunidade industrial.
É,
sem dúvida, uma tarefa complexa, pois múltiplos são
os atores envolvidos no processo de decisão sobre as demandas,
assim como são diversas as opiniões e visões
sobre uma mesma questão em debate.
No
ano de 2008, conseguimos avanços importantes, com destaque
para a introdução da Pauta Mínima de projetos,
que priorizou as proposições de maior relevância
para a indústria e estabeleceu um sistema de gestão
diferenciado.
Coube
à COAL divulgar relatórios periódicos de seu
andamento e estabelecer um processo especial de influência,
de modo a criar condições para que os projetos recebessem
tratamento prioritário no Congresso.
A
excepcionalidade do ano de 2008, um ano de baixa produção
legislativa, prejudica sua avaliação mais completa,
mas tenho a convicção de que essa nova forma de trabalho
foi um avanço significativo.
Um
balanço dos projetos constantes da Pauta Mínima aponta
para os seguintes resultados:
Reforma
Tributária (PEC 31/2007 e PEC 233/2008) - Foi aprovado na
Comissão Especial substitutivo que apresenta melhoramentos
em relação ao sistema tributário atual quanto
à simplificação e desoneração
da atividade produtiva. Devem ser destacadas: a unificação
da legislação do ICMS, a extinção de
diversas contribuições sociais com a criação
do IVA Federal, maiores garantias para aproveitamento de créditos
e a desoneração dos bens destinados ao ativo permanente.
Permanecem
pendentes as seguintes demandas do setor industrial, já consubstanciadas
em destaques sugeridos pela CNI e apresentados no Plenário
da Câmara dos Deputados:
Inclusão
da garantia constitucional de não-cumulatividade do IVA Federal;
Eliminação
de ressalvas em lei para o aproveitamento de bens de uso e consumo;
Fim
do cálculo por dentro de tributos;
Inclusão
na PEC de maior garantia de neutralidade tributária da reforma;
Aplicação
do princípio da anterioridade ao novo ICMS (aumento nas alíquotas
só deve produzir efeitos no exercício financeiro seguinte);
Eliminação
da incidência da CFEM (Compensação Financeira
pela Exploração de Recursos Minerais) sobre o faturamento
bruto e supressão do aumento de alíquotas;
Redução
dos prazos de aproveitamento de créditos sobre aquisições
de bens de uso e consumo na atividade econômica;
Re-inclusão
do aproveitamento de créditos de ICMS de operações
anteriores, no caso de saídas isentas ou não sujeitas
à incidência do imposto.
Código
de Defesa do Contribuinte (PLS 646/99) - Foi incluído, no
substitutivo aprovado da PEC de Reforma Tributária, previsão
de encaminhamento pelo Poder Executivo de projeto de lei complementar
criando um "Código dos Direitos e Garantias do Contribuinte",
em até 150 dias contados da promulgação da
Emenda Constitucional, e que deverá tramitar em regime de
urgência constitucional.
Cadastro
Positivo (PL 836/2003) - No final da legislatura, foi aprovado recurso
para apreciação do projeto pelo Plenário da
Câmara. A CNI apóia requerimento para atribuição
de regime de urgência ao projeto.
Nova
Lei de Defesa da Concorrência (PL 5877/2005) - A Câmara
dos Deputados aprovou projeto que reestrutura o Sistema Brasileiro
de Defesa da Concorrência. O Relator, Deputado Ciro Gomes
(PSB/CE), acolheu emendas que atenderam os seguintes pleitos defendidos
pela CNI: instituição de prazo máximo para
a análise prévia do CADE e duplicação
do prazo para o oferecimento de defesa. O projeto será apreciado
pelo Senado Federal.
Opção
pelo Regime de Lucro Presumido (PL 305/2007) - O Relator da Comissão
de Finanças e Tributação proferiu parecer pela
aprovação desse projeto, que atualiza os limites de
receita bruta para apuração do IR pelo regime de lucro
presumido.
Marco
Regulatório para o Gás Natural (PLC 90/2007) - O projeto
foi remetido à sanção. Com atuação
da CNI, foram rejeitadas emendas da CCJ do Senado que, se aprovadas,
forçariam o retorno da matéria à Câmara
dos Deputados.
Definição
de Competências em Matéria Ambiental (PLP 388/2007
e PLP 12/2003) - O parecer do Relator da Comissão de Justiça
trouxe alguns retrocessos em relação ao substitutivo
aprovado na Comissão de Agricultura (notadamente a fiscalização
dos empreendimentos por mais de um órgão ambiental).
A CNI recomendou pedido de vistas que impediu a aprovação
da matéria na Câmara dos Deputados. Foi encaminhado
pela CNI ao relator da Comissão de Justiça sugestão
de texto que contempla a visão do setor industrial.
Política
Nacional de Resíduos Sólidos (PL 203/1991) - A CNI
mantém contato regular com o Presidente do Grupo de Trabalho
de Resíduos Sólidos, Dep. Arnaldo Jardim (PPS/SP),
apresentando formalmente sugestões de aprimoramento, em regra,
bem acolhidas. Estima-se a apresentação de novo substitutivo
no primeiro trimestre de 2009, para votação no plenário
da Câmara.
Compensação
Ambiental (PL 266/2007) - Em abril/2008, o STF entendeu que o valor
a ser cobrado de compensação ambiental deve guardar
proporcionalidade com o efetivo impacto ambiental. Foram apostos
embargos de declaração pela CNI e AGU, que aguardam
julgamento. Em decorrência, o Executivo tem se movimentando
na construção de uma nova metodologia de cálculo,
que segue sem consenso quanto ao teto. A Casa Civil defende 0,5%
e o Ministério do Meio Ambiente 1,1%. A tramitação
do projeto foi interrompida, aguardando a definição
de tais pendências. Texto preliminar divulgado na Câmara
Federal de Compensação Ambiental do MMA aponta critérios
subjetivos, que têm sido alvo de sugestões para aprimoramento
pelo corpo técnico da CNI.
Novas
Regras para o Simples Nacional (PLP 126/2007 e PLP 002/2007) - O
projeto, que introduziu inovações apoiadas pela CNI,
foi transformado na Lei Complementar nº 128 de 19 de dezembro
de 2008.
Dispensa
de Empregados (PLP 8/2003 e MSC 59/2008) - Através de forte
mobilização da RedIndústria, a CNI conseguiu
a rejeição, na Comissão de Relações
Exteriores da Câmara, da Mensagem 59, que propõe a
ratificação da Convenção 158 da OIT.
A
Convenção restringe a dispensa de empregado aos casos
em que exista causa justificada relacionada com sua capacidade ou
seu comportamento ou baseada nas necessidades de funcionamento da
empresa, estabelecimento ou serviço.
Aguarda-se
apreciação da Questão de Ordem 327 de 2008,
que requer a prejudicialidade da matéria, por se tratar de
assunto já deliberado pelo Congresso Nacional. Por sua vez,
o PLP 8 de 2003, que também traz novas limitações
à dispensa de empregados, não teve movimentação
em 2008.
Terceirização
(PL 4330/2004 e PL 4302/1998) - O Relator do PL 4302/98, Dep. Sandro
Mabel, apresentou seu parecer favorável ao substitutivo aprovado
pelo Senado. A Comissão de Trabalho (CTASP) aprovou o parecer
do relator com destaques, dentre os quais o restabelecimento da
responsabilidade solidária do tomador de serviços
pelas obrigações trabalhistas e previdenciárias.
A CNI defende a aprovação do PL 4302/98, nos exatos
termos do substitutivo do Senado. Paralelamente à discussão
no Legislativo, o Ministério do Trabalho e Emprego apresentou
anteprojeto de lei que adota algumas premissas defendidas pelos
empregadores, no entanto, também fixa a responsabilidade
solidária da empresa tomadora de serviços.
Redução
da Jornada de Trabalho (PL 4653/1994) - Através de ação
da CNI foi aprovado requerimento de apreciação do
projeto pela Comissão de Economia (CDEIC), antes da Comissão
de Trabalho (CTASP). Graças à redistribuição,
foi frustrada a mobilização das Centrais Sindicais
para aprovação da matéria em 2008.
O Deputado Maurício Rands (PT/PE) apresentou Requerimento
solicitando urgência para o Projeto.
Nova
Lei de Licitações (PLC 32/2007) e Agências Reguladoras
(PL 3.337/2004) - Esses projetos não avançaram no
ano de 2008.
Dentre
os projetos trabalhados em 2008, destaco o esforço realizado
em torno da reforma tributária, uma luta que ainda não
terminou e que deverá mobilizar parte da nossa energia em
2009.
O
ano de 2009 deverá ser marcado pelo aperfeiçoamento
da gestão da Pauta Mínima e por uma ação
mais sistemática de influência no Congresso Nacional.
Nosso objetivo será aumentar os resultados: tanto os da agenda
defensiva, quanto os da ofensiva, em que desejamos imprimir mais
força.
Ao
encerrar, um registro necessário: o expressivo avanço
e as conquistas resultantes da atuação da CNI junto
ao Congresso Nacional em 2008, a exemplo do que também ocorreu
em anos anteriores, devem ser creditados integralmente à
fibra, empenho, dedicação e competência do companheiro
presidente Armando Monteiro, que, em sua missão de líder
da indústria brasileira, esteve sempre à frente das
tratativas com o Poder Legislativo.
Esse,
prezado companheiro Armando, é o reconhecimento que expresso
- em meu nome e também em nome dos companheiros do Conselho
Temático de Assuntos Legislativos.
Agradeço
a presença e a participação de todos e manifesto
a convicção de que os trabalhos deste Seminário,
a exemplo dos anteriores, serão muito produtivos e contribuirão,
de modo importante, para o processo de preparação
da Agenda Legislativa deste ano.
Muito
obrigado!
Fonte: site FIEMG
|