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Setor
de C&P avalia impactos da crise mundial
Por Luciana Grili - Fotos: Gilberto
Freitas de Souza
18/11/2008 - Os efeitos e tentáculos da crise mundial econômica
foi o tema do 33º Fórum da Anave - Associação
Nacional dos Profissionais de Vendas em Celulose, Papel e Derivados,
que aconteceu durante todo o dia desta terça-feira (18),
em São Paulo, no Macksoud Plaza. O balanço do setor
tem um retrato otimista, espelhado em avaliações momentâneas.
Mas, entre especialistas e executivos do setor, ninguém se
arrisca a assegurar com precisão o que pode acontecer.
Segundo o presidente da entidade, Theo Borges, o objetivo deste
encontro é discutir quais os impactos no setor de celulose
e papel, como foco nos tópicos: crise versus crescimento,
câmbio: oportunidade ou ameaça? e ainda o que acontece
com a competitividade do setor perante à crise. "O tema
do nosso seminário não poderia ser mais oportuno.
Os impactos da crise já se fazem sentir no setor, afetado,
no último trimestre com a desvalorização do
dólar, já que o Brasil é um dos maiores exportadores
de celulose do mundo", comenta Borges.
O
debate começou por volta das 9h00 com a recepção
do presidente da entidade e com a palestra do diretor do Instituto
de Economia da Unicamp, Mariano Laplane, que conduziu a temática,
trazendo à platéia um olhar retrospectivo da crise,
apontando seus antecedentes, e cronologia, desde o choque ocorrido
com o petróleo entre os anos de 1973 e 1979 até o
momento atual da crise. "Se lembrarmos a cronologia, as crises
são muitas", relembra.
O
professor da Unicamp afirmou que a partir de setembro deste ano,
uma série de sinais foram se compactando e redefinindo um
novo cenário, que movimentou iniciativas e discussões.
Neste contexto, a crise deixa de ter um aspecto meramente econômico
para ter um reflexo financeiro mundial. "Essa já é
uma terceira fase da crise que nos assusta muito. É como
se todo mundo na economia americana tivesse entrado de férias
por um período aproximado de dois anos".
Quanto
a dimensão que a crise é capaz de alcançar,
as mais salientes são as perdas dos bancos e das instituições
financeiras. "O tamanho do prejuízo agora não
tem nenhum comparativo com o que já aconteceu na década
de 80 ou 90", expressa. A movimentação mundial
para se conter a crise, segundo Laplane tem uma lista interminável
de iniciativas. "Todo dia há uma intervenção
dos Governos, dos Estados Nacionais, tentando rever esse processo",
aponta salientando que este é um sinal de que estes governos
têm consciência do que é a terceira fase da crise".
O especialista alerta que o ano de 2009 será ruim para todos
os setores do mercado, entretanto avalia que em 2010, as coisas
podem melhorar", conclui.
Além
da análise do professor, o fórum reuniu percepções
diferentes, com olhares convergentes para um ponto: o setor de celulose
e papel é um dos menos afetados no Brasil, já que
vinha se estruturando nos últimos anos, o que trouxe mais
firmeza para as empresas enfrentarem essa fase. "Os produtores
brasileiros estão numa posição muito boa, mesmo
com a crise, ainda temos um cenário positivo", diz Marco
Antonio de Oliveira da Suzano Papel e Celulose.
Para
Máximo Pacheco, CEO da IP, a enorme variedade de revistas
publicadas hoje divulgam as últimas novidades tecnológicas,
mas nenhuma divulgam sobre os avanços do papel como tecnologia.
"Esta que é uma inovação em comunicação
mais duradoura e de maior sucesso nos últimos 200 anos",
afirma. "Eu acredito que vamos driblar essa crise, mas teremos
que ter maturidade, originalidade e criatividade", acrescenta
Péricles Pereira Druck, diretor da Celulose Irani.
A rodada de opiniões, contou com a participação
de renomados profissionais e representatividades do setor, como
Marco Antonio de Oliveira, gerente executivo de marketing e distribuição
da Suzano; Máximo Pacheco, presidente executivo da International
Paper do Brasil; Péricles Pereira Druck, diretor superintendente
da Celulose Irani; Geraldo Ferreira, gerente geral da APP Brasil;
Sérgio Klipp, diretor comercial da Bahia Pulp; Túlio
Gomes, diretor comercial da Ibema, além das palestras do
economista e professor da FGV-Fundação Getúlio
Vargas, Paulo Sandroni e Carlos Alberto Farinha e Silva, vice-presidente
da Poyry Tecnologia, que fez uma análise final sobre a competitividade
do setor, entre outros. "Quando estamos no meio de uma tempestade,
acho que devemos voltar nas nossas origens. As empresas brasileiras
são realmente competitivas", indica Farinha e Silva.
Para ele, a crise tem seu período de temporal, mas ninguém
duvida que ela acabe. "De fato, a parte negativa da crise é
atemporal e com isso nossos projetos vão atrasar, mas vamos
superar essa fase", diz.
Farinha
e Silva mostrou que a capacidade econômica de uma fábrica
de celulose moderna tem crescido durante os últimos 20 anos.
Fatos como melhorias na tecnologia florestal e na produção
de celulose têm possibilitado a instalação de
fábricas maiores utilizando relativamente áreas plantadas
menores. "Isso não se estraga com a crise", aponta.
Ao
final, os empresários e profissionais do setor discutiram
pontos relevantes da temática em um painel aberto.
Fonte:
Celulose Online
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