Fabricantes de papel-cartão investem em nichos

18/11/2008 - Se não pode ser o maior, seja pelo menos diferente. Essa é a máxima de mercado que norteou a Papirus em busca de sua vocação dentro do setor de papel-cartão. No início de 2006, diante da notícia de que a maior concorrente de mercado, a Klabin, iria colocar uma nova máquina em funcionamento com uma capacidade de 750 mil toneladas anuais de papel-cartão, a empresa foi buscar em sua essência uma saída para se destacar e encontrou na reciclagem, atividade que já era utilizada amplamente em suas linhas, a alternativa que procurava.

"Hoje, existe uma demanda por embalagens recicladas, que dão uma imagem de sustentabilidade aos produtos e às empresas. E vamos atender este segmento", diz o presidente da companhia, Antonio Claudio Salce. Segundo ele, a capacidade de produção hoje é de 90 mil toneladas ano na unidade de Limeira e já foram investidos R$ 27 milhões em maquinário, tecnologia e pesquisas nos últimos cinco anos para se obter todas as certificações a fim de que o produto possa ser utilizado como embalagens de cosméticos e até de alimentos.

Outra empresa que aposta nos nichos para competir com os grandes é a paranaense Ibema. Desde 2002, quando instalou uma nova máquina de papel-cartão - antes da Klabin - a empresa começou a se especializar em produtos de maior valor agregado, visando atender segmentos como o de cosméticos, remédios.

Com capacidade total de 120 mil toneladas, a companhia chegou ao terceiro lugar no ranking da Associação Brasileira de Papel e Celulose (Bracelpa). Para este ano, a empresa deve produzir 85 mil toneladas e pode chegar a 90 mil toneladas em 2009.

"Investimos R$ 27 milhões em uma nova máquina quando ninguém investia em papel no País", diz o diretor presidente, Rui Gerson Brandt. Cerca de 65% dos investimentos foram viabilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e por uma agência de fomento alemã.

O restante foi financiado com recursos próprios. Crescimento Na Papirus, o projeto piloto do papel-cartão reciclado, idealizado para medir a aceitação, foi feito com o lançamento da linha Vita Carta, em 2006. "Inicialmente, foram comercializadas 184 toneladas do produto no primeiro ano, saltando para 920 toneladas em 2007 e 1,25 mil toneladas até outubro deste ano", conta o diretor comercial da empresa, Amando Varella.

Diante dos bons resultados, a empresa reformulou toda a linha de produção, relançada agora sob o nome Vita, que pode variar de 25% de material reciclado até 100%, conforme a exigência do cliente. "Temos flexibilidade em nossa linha de produção para utilizar qualquer tipo de fibra, desde 100% virgem até 100% reciclada", explica Salce. Assim, para produzir as 90 mil toneladas por ano utiliza 60 mil toneladas de aparas.

Com o plano traçado, a Papirus saiu a campo para melhorar também a coleta de aparas. Das três cooperativas de catadores que trabalhava há dois anos já subiu para 25. Com isso, elevou seu volume de aparas oriundas dessa origem de 2% para 8% e espera chegar até o final de 2009 com 15%.

"Antes as aparas não eram vistas como um material nobre, hoje houve uma mudança de consciência, passando-se a dar valor não só ao material como a toda a atividade que está envolta", explica o gerente de marketing, Eduardo Gianini. Se reinventar parece estar no DNA da empresa.

Tradicional fabricante de chapéus de propriedade da família Ramenzoni, surgida no início do século passado, a empresa passou a produzir embalagens durante a II Guerra Mundial por falta de fornecedores. Ao longo dos anos, com o declínio do negócio de chapéu, a empresa tornou as embalagens seu carro-chefe.

Fonte: Gazeta Mercantil. Adaptado por Celulose Online.